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  • A filha do Dilúvio
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A filha do Dilúvio
978-65-86264-29-6
14 x 21 cm
208 páginas
1ª edição - 2021

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A filha do Dilúvio

Miguel da Costa Franco


R$ 40,00


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Em A filha do Dilúvio, Miguel da Costa Franco pariu um texto das entranhas de uma sociedade doente, anestesiada pela frieza.

De um lado, uma herança inesperada e a ascensão social; de outro, o cruento desenrolar da vida em meio à miséria e à falta de opções. Duas realidades paralelas, que se sobrepõem de forma explosiva, reorganizando desejos, afetos, traumas e dilemas pessoais. Para alguns, chorar é da vida. Para outros, o conforto está dado. Gerar descendência passa a ser escolha e conflito. Um país em construção, imerso em desigualdade. Entre extremos, a humanidade insiste em pedir passagem.

Trecho:

Ele não reconhecia legitimidade em sua recente e inesperada ascensão social. Uma ideia o dominava desde a partida do balneário famoso à beira do rio da Prata: todo sucesso pessoal deriva, de algum modo, do egoísmo. De pitadas de descaso pelo desejo ou necessidade do outro, coisa que sempre desprezara. Fazia disto um resumo da sensação de estranhamento com que convivera em sua estada em Punta Del Este. Passara as férias entre a elite bem-sucedida do cone sul da América, vivendo em meio a uma alegoria quase ultrajante de prosperidade. Agora, cortando o vazio do pampa uruguaio, sentia-se devolvido à crueza da América Latrina, com seus latifúndios extensos pontuados de ranchinhos modestos para uso dos serviçais. Ali, a pobreza e as diferenças ficavam mais explícitas. Era um novo mergulho na velha e suja desigualdade, a que haviam renunciado do convívio mais próximo por um curto e fantasioso período de férias. Tinha dificuldades de coabitar com estes brutais desníveis, olhando-os agora desde cima. Contaria a Sandra, e insistiria mais vezes no tema, entre um cochilo e outro da parceira, ter lido em algum lugar – livro, blog ou muro: “todo sucesso pessoal deriva do egoísmo”



Sobre o autor

A filha do Dilúvio

Miguel da Costa Franco

A filha do Dilúvio é o seu segundo romance. É autor de Imóveis Paredes (Libretos, 2015) e Não Romance (Metamorfose, 2018), contos selecionados. Foi finalista do Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores na categoria Narrativas Curtas e recebeu premiações também por conto, crônica e poesia. Participou de coletâneas, entre as quais a Antologia de Contistas Bissextos (L&PM, 2007). Escreveu o roteiro do filme O último desejo do Dr. Genarinho (2002), foi corroteirista do telefilme e da série de tevê Doce de Mãe (2012 e 2014), vencedora do International Emmy Award for Best Comedy em 2015, e colaborou no roteiro de Aos Olhos de Ernesto (2019), todos produzidos pela Casa de Cinema de Porto Alegre. Mantém o site www.migueldacostafranco.com.br. Colaborou com jornais e revistas, como Correio do Povo, Pasquim Sul, Não, Parêntese e Sepé. Nasceu em Roca Sales/RS, em 1958.

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