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As flores do mal
9788555490521
14 x 20 cm
200 páginas
2019

Design Gráfico:
Clô Barcellos

Primerias páginas:
As flores do mal

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As flores do mal

de BAUDELAIRE

Eduardo Guimaraens, Clô Barcellos, Maria Etelvina Guimaraens


R$ 40,00


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No período de 1917 a 1921, o poeta Eduardo Guimaraens trabalhou na tradução de Les fleurs du mal, de Charles Baudelaire, do qual selecionou 69 poemas dos que integraram a edição de 1861, três dos seis censurados em 1857 e onze que foram incluídos em edições póstumas do livro de Baudelaire. Eduardo finalizou seu livro em 1927. Passados quase cem anos, a organizadora (neta do poeta) encontrou um volume atado com cordão de seda preto, na biblioteca da família. Eram os poemas traduzidos e datilografados, mais o prefácio e as notas do tradutor.
Ao publicar Eduardo Guimaraens, dentro do princípio de não interferir na sua obra e seguir suas orientações, deixadas por escrito, foram procedidas somente as necessárias atualizações ortográficas, sem modernização do vocabulário. Para auxiliar o leitor a ingressar na atmosfera de Baudelaire e de Eduardo, ao término do livro, há um glossário. O livro traz em imagens fac-símiles partes do volume original encontrado.



  • Eduardo Guimaraens

    Eduardo Guimaraens (Porto Alegre RS 1892 - Rio de Janeiro RJ 1928) é considerado um dos maiores poetas simbolistas brasileiros.Publicou seu primeiro poema, o soneto Aos Lustres, aos 16 anos, no Jornal da Manhã, de Porto Alegre. Seu primeiro livro de poesia, Caminho da Vida, foi publicado em 1908. Por volta de 1911 atuou como colaborador dos periódicos Jornal do Comércio, Folha da Manhã, Diário, Federação e Correio do Povo, na capital gaúcha. Foi diretor da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul, onde havia começado como auxiliar técnico.Entre 1912 e 1916 viveu no Rio de Janeiro, onde colaborou nos jornais A Hora, Rio-Jornal, A Imprensa e Boa Hora, e na revista Fon-Fon.Em 1916, ainda, publicou A Divina Quimera, que o tornou conhecido no Brasil.Formou, junto a Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens, a 'trindade simbolista' no Brasil.É patrono da cadeira 38 da Academia Rio-Grandense de Letras e recebeu homenagem da Feira do Livro de Porto Alegre em 1969.

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    Clô Barcellos

    Clô Barcellos é jornalista (PUC/RS), designer (ULBRA) e artista plástica (UFRGS). Atua desde 1982 na área de design editorial , tendo acumulado experiências no desenvolvimento e coordenação do design das revistas
    Amanhã e Aplauso, além de diversas outras publicações da Editora Plural Comunicações durante seis anos.
    Desde 1996, dirige sua própria empresa, com dois canais de atuação: a Libretos Comunicação e a Libretos Editora. Através de sua editora, editou e produziu design para mais de 100 títulos próprios. O catálogo ativo
    completo da editora está em www.libretos.com.br. Através da Libretos Design Gráfico, desenhou e finalizou diversas publicações dentre os colecionáveis de Zero Hora, posteriormente, RBS
    Publicações. Alguns exemplos: História Ilustrada de Porto Alegre ; História Ilustrada do Rio Grande do Sul;Os Farrapos foi selecionado na III Bienal de Design Gráfico da Associação dos Designers Gráficos /ADG e premiado com Troféu Açorianos de Literatura 2002, categoria Projeto Gráfico;Felipão, a alma do Penta, com design adquirido em Portugal em edição portuguesa;Brasil nas copas, a história da Copa do Mundo com
    destaque para a participação dos gaúchos; Astrologia, o cosmos e você (premiado com Prêmio Açorianos de Literatura 2004, categoria Projeto Gráfico); 50 anos do Margs (Museu de Artes do Rio Grande do Sul), Prêmio
    Açorianos de Literatura, categoria Projeto Gráfico e Prêmio Bornancini /I Salão Apdesign, categoria design editorial, também em 2006. Para o

    Ministério da Educação, realizou Cadernos do Mec, revista sobre a educação básica brasileira, de circulação nacional. Para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, desenvolveu o projeto gráfico e a edição de imagens do livro Retratos do Brasil Rural (2006) e o projeto da revista Terra da Gente. Para Já Editores, desenvolveu e executou o projeto do livro Protásio Alves e o Seu Tempo, de Maria do Carmo Campo e Martha Geralda Alves
    D´Azevedo. Para a Copesul e Já Editores, desenhou o livro Carlos Reverbel , textos escolhidos, com organização de Elmar Bones e Claudia Laitano. Para a Fundação Thiago Gonzaga/Vida Urgente criou e desenho os livros Gente Vida, coletânea de diversos autores gaúchos sobre a vida, e o livro Thiago
    Gonzaga, histórias de uma vida urgente. Alguns de seus diversos clientes: Conselho Regional de Psicologia, Jornal O Povo de Cachoeira do Sul, Mahatma Comunicação, MDA, Vivo, Amigos da Terra, MDA, MinC, MMA, MEC, Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.Realizou os projetos das exposições Ainda Cabe Minha Aldeia no Mundo?, com fotos de Marco Nedeff e curadoria de Cristine Loff, na Caixa Cultura de Brasília, e Noites de Filó, também de Marco Nedeff, vencedora do edital do Fundo de Apoio à Cultura, no
    Memorial do RS. Na Assembleia Legislativa do RS, produziu a exposição de capas do Coojornal, Um Jornal de Jornalistas Sob Regime Militar, no Vestíbulo Nobre Erico Veríssimo. De 2012 a 2016, atuou como vice-presidente do Clube dos Editores do RS. No Clube, criou a 1ª Festa da Leitura do Clube dos Editores, e coordenou a produção do evento, que reuniu em 2012, no Mercado Público, 10 mil pessoas dentre crianças, jovens e adultos, em atividades de Mediação de Leitura, com apresentações gratuitas e oficinas de contação, minicontos dentre outras.

    Realizou também a 2ª Festa da Leitura, na Usina do Gasômetro, que reuniu 20 mil pessoas, nos mesmos moldes. Também pelo Clube dos Editores, coordenou a realização de seis edições do Seminário Anual O Negócio do Livro, em parceria com o Goethe Institut, das quais participaram diversos profissionais em destaque no setor do Livro e Leitura, tanto na produção quanto na circulação e as mais diversas etapas
    que envolvem o Negócio do Livro.

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    Maria Etelvina Guimaraens

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  • As flores do mal
    As flores do mal
    As flores do mal
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    As flores do mal
  • As Flores do Mal, de Baudelaire
    Selecção de Poemas – 1927

    Eduardo Guimaraens:
    tradutor-poeta-traditore


    No período de 1917 a 1921, Eduardo Guimaraens trabalhou na tradução de poemas de Les fleurs du mal, do qual selecionou 69 dos que integraram a edição de 1861, três dos seis censurados em 1857 e onze que foram incluídos em edições póstumas do livro de Baudelaire. Eduardo finalizou seu livro em 1927.
    Mansueto Bernardi, poeta e amigo de Eduar­do, no prefácio que faz ao livro A Divina Quimera1, em 1944, destaca, no capítulo IV, a identidade entre Eduardo e Baudelaire, bem como a qualidade das traduções (páginas 26 a 35). Informa que, diante do silêncio que havia então em relação a esse trabalho, em 1933 encaminhou carta a Felix Pacheco “chamando sua atenção” para Eduardo:

    Procedia, nessa ocasião o ilustre acadêmico e diretor do Jornal do Comércio a um verdadeiro inquérito sobre a influência de Baudelaire nas letras portuguesas e brasileiras, sem fazer qualquer referência a Eduardo Guimaraens. Resolvemos, então, escrever-lhe uma carta, chamando a sua atenção para o autor da Divina Quimera, a quem, a nosso ver competia, sem contestação alguma, o título de maior baudelairista do Brasil e de Portugal. (pg. 26, transcrição com revisão ortográfica)

    Felix Pacheco – membro da Academia Brasileira de Letras que, além de ter traduzido vários poemas de Baudelaire, pesquisava a fundo a sua obra, como referido por Mansueto – passou então a mencionar Eduardo Guimaraens como importante tradutor do Poeta (como Eduardo se refere a Baudelaire em seu Prefácio e Notas). Na edição n.37 do Jornal do Commercio, de 12 de fevereiro de 1933, publicou, na página 3 e sob o título Charles Baudelaire nas traducções de Eduardo Guimarães2, os poemas “Bênção”, “O Albatroz”, “Elevação” e “Correspondências”. Em seu artigo, introduzindo a publicação do prefácio de Eduardo, nas páginas 8 e 9, salientou:
    Graças à gentileza do poeta de raça que é Mansueto Bernardi, podemos hoje oferecer ao público alguma coisa da admirável tradução das Flores do Mal, empreendida pelo seu malogrado e saudoso amigo Eduardo Guimarães. Só os íntimos do ilustre homem de letras do Rio Grande do Sul, tão cedo desaparecido, tinham notícia desse trabalho. Eduardo Guimarães começara pacientemente a elaborá-lo a 8 de março de 1917 e deu por findo em 19 de janeiro de 1921.
    São, pelo menos, as datas que figuram no fecho do volume.
    As melhores edições comentadas de Baudelaire, entretanto, só vieram a lume a partir de 1921, que foi exatamente o ano do centenário do nascimento do poeta.
    (...)
    Eduardo Guimarães fechou os olhos no Rio, em 1928 (...)
    As suas traduções das Flores do Mal já estavam, a esse tempo, terminadas desde sete anos antes, e passadas a máquina, com os últimos retoques da mão de mestre do artista. Não é todo o livro famoso. São, porém, oitenta e três das cento e cinquenta e oito produções deixadas pelo gênio infortunado; e nenhum tradutor brasileiro até então se abalançara a tanto. Mas, aí, não é só na quantidade que a musa de Eduardo Guimarães excele e brilha; brilha e excele igualmente pelo esmero das versões, pelo sentimento de fidelidade ao original, e, mais que tudo, por uma penetração clarividente do pensamento do autor e perfeita comunhão com a arte maravilhosa do grande poeta francês. Uns anos mais de vida, o conhecimento da bibliografia baudelairiana mais recente, o repasse geral das obras de prosa de Charles Baudelaire, e não há dúvida que Eduardo Guimarães teria feito com ele no Brasil o que fez com Edgard Poe na França.
    Ainda assim, ninguém poderá mais nunca dissociar entre nós esses dois nomes: o traduzido e o tradutor viverão luzidamente parelhos em nossa história literária.
    Artista algum teve aqui um contato mais amorosamente demorado com as estrofes de Baudelaire do que Eduardo Guimarães, nem ninguém aspirou mais longa e regaladamente do que ele o perfume agudo e sutil das Flores do Mal.
    Os novos do Rio Grande do Sul devem ter orgulho desse alto expoente do amor à Beleza naquela terra ainda em formação.
    (transcrição de acordo com o texto disponível nos periódicos da Biblioteca Nacional – memoria.bn -, com atualização ortográfica)

    Sobre o material que recebera de Mansueto, Felix Pacheco no mesmo artigo, esclarece:

    Muito nos alegra que a cativante obsequiosidade de Mansueto Bernardi nos facultasse o folheto das esplêndidas traduções de Eduardo Guimarães.
    (...)
    Na amável carta com que teve a fidalguia e a bondade de enviarnos o manuscrito com prefácio e notas do tradutor, além da versão dos Poemas de Tagore e de um exemplar da Divina Chimera, Mansueto Bernardi adianta informações interessantes, sobre Eduardo Guimarães.
    (grifos da organizadora)

    Além do que foi publicado na edição n.37, na sequência de artigos e de traduções, nas páginas do Jornal do Commercio, ainda no ano de 1933, Felix Pacheco transcreveu, na página 9 da edição n.66, de 19 de março, a tradução de Eduardo para versos de “Don Juan nos infernos”. Na oportunidade, esclareceu o que Eduar­do alertara:

    (...) declara, entretanto, no erudito Prefácio às Flores do Mal, que sua intenção “foi mais a de adaptar” essas produções “na literalidade do seu sentido lírico, como poeta, que de os fixar na textualidade de sua composição literária”.

    No mesmo ano, na edição n.113, de 14 de maio, na página 12, transcreveu as traduções de “O Azar” e “As queixas de um Ícaro” e na edição n.78, de 31 de dezembro, na página 5, Felix publicou “Boêmios de viagem”.
    Tais poemas, e a observação em relação à qualidade das traduções de Eduardo, também foram publicados no livro Do sentido do azar e do conceito da fatalidade em Charles Baudelaire que Felix Pacheco publicou no mesmo ano de 1933.

    Eduardo Guimarães, que não nos cansamos de repetir, foi até hoje quem melhor traduziu na nossa língua a música inigualável das Flores do Mal, deixou de lado a Sepultura de um poeta maldito, mas o seu livro ainda inédito inclui, entre as 83 versões que apresenta, O Azar e As queixas de um Ícaro em octassílabos, como no original. (grifos da organizadora)


    Note-se que, muito antes, as traduções de Eduardo para Baudelaire já vinham sendo anunciadas. A revista Mascara, do Rio Grande do Sul, em 1918, na edição n.20, de 22 de junho, na página 11, alertava para o “novo livro” de Eduardo:

    “Poemas de Baudelaire”
    é o título de um novo livro do sr. Eduardo Guimaraens, o poeta vitorioso da “Divina Chimera”. Dizemos “novo livro”, apesar de se tratar da tradução de 37 poesias e sonetos de Baudelaire, porque cada poesia que o sr. Eduardo Guimaraens traduziu é, sem modificar a fonte, uma nova obra de arte, nova criação de inestimável valor.
    Nos nossos círculos intelectuais está sendo esperado com muita ansiedade, o livro do sr. Eduar­do Guimaraens (...)3

    E no mesmo ano, na edição 41, de 23 de novembro, a Mascara publicou a tradução do poema “O Sol”. Esta tradução difere da versão que integra o volume datilografado e, por tal motivo, incluímos no presente livro, devidamente identificada.
    Eduardo, a seu turno, anunciou a breve publicação de suas traduções para os poemas de Baudelaire, em publicação de 1927, O Romance de Laura, que traduzira de Francis Jammes.

    O Volume datilografado
    Passados quase cem anos, encontrei um volume atado com cordão de seda preto, juntamente com livros franceses de nosso avô (Les Tragédies, de Sophocles, Sagesse, de Verlaine, L’Art de Auguste Rodin) na biblioteca de sua nora, minha mãe. Sabíamos que Eduardo tinha traduzido As flores do mal, mas até então o material não havia sido localizado. Esse volume possui capa manuscrita na letra de Eduar­do, no formato 17cm x 22cm, é datilografado e contém o Prefácio, os poemas e as Notas do tradutor, como descrito no artigo do Jornal do Commercio. Traz, também, uma página listando as obras publicadas por Eduardo, orientações quanto à inclusão do clichê e do retrato (instruções manuscritas), espaço para o ex-libris, tudo à semelhança de outras publicações e de manuscritos constantes do acervo da família.
    Na condição de organizadora do acervo, assumi o encargo de levar adiante a publicação. Encontrar o texto inédito de Eduardo já seria motivo suficiente. E, não bastasse isso, tudo o que li sobre a qualidade das traduções evidenciou a sua importância.


    Apesar das características semelhantes, a ortografia do volume encontrado não corresponde à vigente na década de 1920 (época das traduções de Eduardo), mas à da década de 1960, antes da reforma ortográfica.
    Concluímos, pois, tratar-se da datilografia de responsabilidade de Itálico Marcon, conforme informou na sua introdução ao livro Eduardo Guimaraens e Alceu Wamosy, de Mansueto Bernardi, nas fls. 10 e 114, sob o título “Uma explicação necessária”:

    Descobrimos, felizmente, As Flores do Mal, de Baudelaire, abrangendo 83 poemas traduzidos; a tradução completa das Festas de Galantes, de Verlaine; as traduções reunidas sob o título de Rosas de França (dezenas de poemas, de poetas antigos e modernos); traduções de Heine e de diversos italianos, etc. (...)
    Com a concordância dos filhos de Eduardo Guimaraens, recolhemos todo esse material poético, datilografando os manuscritos, corrigindo os senões, cotejando, por fim, as traduções com os originais dos autores traduzidos, com exceção de Heine.

    Em visita realizada em 3 de setembro de 2019, Itálico Marcon confirmou que recolhera os manuscritos de As Flores do Mal, de Baudelaire - Selecção de Poemas, de Eduardo Guimaraens, no final da década de 1960 (provavelmente em 1968); que os originais que nos chegaram efetivamente foram datilografados por ele e entregues a Dante Guimaraens (filho de Eduardo e falecido pouco tempo depois, em 1969); que a capa manuscrita é efetivamente de Eduardo Guimaraens e que as correções mencionadas limitaram-se à atualização ortográfica (“Eu nunca modificaria uma palavra no texto de Eduardo Guimaraens”, disse Itálico). Na oportunidade, Itálico cedeu a fotografia de Baudelaire que aqui reproduzimos, a mesma que Eduardo possuía do Poeta.
    Observo que reconheci tanto a letra de Eduardo (nas folhas manuscritas) quanto sua escritura, vocabulário, ritmo, assim nos textos como nos poemas, o que foi confirmado.
    Itálico esclareceu, ainda, que os manuscritos integraram o acervo doado ao Banco de Livros da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul5, mas não foram encontrados.
    Na comparação dos textos publicados - prefácio e poemas em 1933 (no Jornal do Commercio, com a ortografia original) e prefácio em 1944 (publicado por Mansueto Bernardi, com a atualização ortográfica da época) - com o do volume atado com cordão de seda preto confirmei que as alterações correspondem tão somente às respectivas atualizações ortográficas. Tal se verifica tanto no que se refere ao prefácio quanto aos poemas. Note-se que no volume datilografado alguns dos vocábulos ainda constam como é provável que Eduardo tenha escrito: si, milhor, scena, scenário...
    Observo, ainda, que ao publicar o prefácio, o Jornal do Commercio omitiu no quinto parágrafo – se comparado ao texto datilografado - a expressão “de França”, eis que constou “...corruptores dos costumes da França de Villon e Rabelais...” em vez de “corruptores dos costumes de França, da França de Villon e Rabelais...”. Foi mantida aqui a expressão completa, como no volume encontrado.
    Diante de tais elementos, a hipótese que se apresenta é a de que o material enviado a Felix Pacheco compreendia os textos originais datilografados, mencionados equivocadamente como manuscritos, os quais teriam permanecido no acervo da família até a década de 1960, quando foram recolhidos por Itálico.
    Acrescentamos que a única tradução manuscrita dos poemas de Baudelaire, que integra o acervo da família, é a do soneto Recueillement acompanhando o soneto Sobre o ‘Erotik’, de Grieg, de D’Annunzio e o poema Colloque Sentimental, de Verlaine (página ao lado).
    A tradução de Recueillement (abaixo) é semelhante à do texto datilografado (página ao lado).
    Na primeira estrofe há alteração nas letras maiúsculas e minúsculas, inversão da ordem das palavras (3o e 4o versos) e substituição da palavra “desalento” por “esquecimento” (3o verso).
    Alterações substanciais encontramos nas demais estrofes. Na segunda, nos 3o e 4o versos: de “ao fim da festa e do tormento/oh, dá-me a tua mão que à minha se prendeu” para “ao fim desse ágape cruento/dá-me, fugindo, a mão que às minhas se prendeu”
    Na terceira estrofe, nos 2o e 3o versos, de “mortos, a debruçar-se, em suas velhas vestes,/que de Anos de outro tempo! E a saudade a sorrir” para “mortos, ao corpo ainda as antiquadas vestes,/que de anos do Passado; e a saudade, a sorrir”
    E finalmente,na quarta estrofe, nos 1o e 2o versos: de “do fundo da água! E o sol, ao longe, agonizando/E, como um vulto que do Oriente vai surgir” para “do fundo da água; e, além, o Sol agonizando;/e como alguém que do Oriente vai surgir”.
    Assim, Eduardo teria criado duas versões, destinando uma (de setembro de 1917, data no canto inferior esquerdo e assinatura no canto inferior direito, ambas na folha 3) à Seara Alheia (anotação no canto superior esquerdo da folha 1) e incluindo a outra na sua Selecção, no “Suplemento às Flores do Mal”. O mesmo teria ocorrido com Le Soleil, como já mencionado, destinando uma versão em 1918 à Mascara e outra à sua Selecção. E Eduardo também criou duas versões para o poema L’Invitation au voyage, ambas por ele incluídas no volume atado com cordão de seda preto.
    Note-se que a tradução manuscrita de Recueillement indica a propriedade literária, “copyright by Pessoa de Mello” (anotação constante no canto superior direito), o que justificaria à época a segunda versão para publicação na seleção de poemas. Optamos por publicá-la, diante da sua importância e em face do longo tempo transcorrido, bem como do fato de não ter sido localizada a publicação referida no manuscrito. Portanto, neste livro foram inseridas as duas traduções para o soneto Recueillement. O mesmo justifica a publicação de ambas as versões para a tradução do poema Le Soleil.
    Com relação ao soneto A une Dame créole, de acordo com o volume datilografado, Eduardo traduziu como “A uma Dama crioula”. Observo que o significado desta palavra, em face da época da tradução, corresponde ao termo francês criado na época colonial, quando créole se referia às pessoas descendentes de europeus nascidas nas colônias. Os portugueses traduziram a palavra francesa como “crioula”, com o mesmo sentido, o que foi adotado por Eduardo. A confirmar esta observação, Felix Pacheco salienta que este soneto fora dedicado à Madame Autard de Bragard, em agradecimento à acolhida que recebera do casal na sua temporada ”No aromado país que o sol acaricia”, a Ilha de Bourbon, salientando que o poema foi publicado pela primeira vez em La Plume, em agosto de 1933, juntamente com uma carta enviada ao marido em 20 de outubro de 18416.
    Na impossibilidade de se localizar a totalidade dos manuscritos, ou mesmo os originais datilografados à época e revisados por Eduardo, publicamos o livro com base no volume localizado, entendendo que o benefício é muito maior do que o prejuízo advindo de eventual problema na transcrição revisada por Itálico Marcon – pessoa que conhecia a fundo a obra de Eduardo e que se lançara criteriosamente na tarefa a que se propusera. A salientar a importância da publicação, friso que Ricardo Meirelles, na pesquisa realizada na sua dissertação de mestrado (Universidade de Campinas), concluiu que até o ano de sua morte, 1928, Eduardo tinha sido quem traduzira o maior número de poemas de Baudelaire. Suas traduções são elogiadas pelos baudelairianos desde a sua época.
    Quanto à ordem dos poemas no volume datilografado, como informado nas suas Notas, Eduardo seguiu à da edição de 1861, última revisada por Baudelaire7.
    Eduardo acrescentou, sob o título “Peças Condenadas”, a tradução de três poemas censurados em 1857 que integravam o Spleen et Idéal (“As joias”, “O Letes” e “A que é demais alegre”)8. E, sob o título “Suplemento às Flores do Mal”, agrupou poemas posteriores a 1861 que, em outras publicações, foram destacados como Les Épaves.
    Observo, finalmente, que alguns poemas de As flores do mal não possuem título. Na edição de 1861 tais poemas constam no índice simplesmente com a numeração das respectivas páginas, evidenciando não se tratar da continuação do poema que os precedem. Eduardo, de acordo com o volume de que deu origem a este livro, os identificou com números romanos, de acordo com a sua posição na ordem sequencial dos poemas.
    Ao publicar Eduardo Guimaraens, adotamos os princípios de não interferir na sua obra e seguir suas orientações. Desta forma, foram procedidas somente as necessárias atualizações ortográficas, sem modernização do vocabulário. Para auxiliar nosso leitor a ingressar na atmosfera de Baudelaire e de Eduardo, ao término do livro, acrescentamos um glossário.
    Com tais observações, é com muita emoção que apresentamos As Flores do Mal de Baudelaire – Selecção de Poemas, de Eduardo Guimaraens.

    Maria Etelvina Guimaraens

     

    Sumário

    ÍNDICE

    Apresentação
    Prefácio

    SPLEEN E IDEAL
    Bênção
    O Albatroz
    Elevação
    Correspondências
    Número V
    Os Faróis
    A Musa enferma
    O Azar
    A vida anterior
    Boêmios de viagem
    O homem e o mar
    Don Juan nos infernos
    Castigo do orgulho
    A Beleza
    O Ideal
    A máscara
    Hino à Beleza
    Perfume exótico
    A cabeleira
    Número XXIV
    Número XXVII
    A Serpente que dança
    Uma carcaça
    De profundis clamavi
    Número XXXII
    Remorso póstumo
    O balcão
    Um fantasma
    I – Nas trevas
    II – O perfume
    III – A moldura
    IV – O retrato
    Semper eadem
    Toda inteira
    Número XLII
    O facho vivo
    Reversibilidade
    Confissão
    A alva espiritual
    Harmonia da tarde
    O veneno
    O convite para a viagem, 1a e 2a versões
    Palestra
    Canto de Outono
    A uma Madona
    Canção da sesta
    Franciscæ meæ laudes
    A uma Dama crioula
    O Espectro
    Soneto de Outono
    Tristezas da Lua
    A música
    O sino rachado
    Spleen
    Spleen
    Spleen
    Spleen
    Obsessão
    O gosto do nada
    Alquimia da dor
    Horror simpático
    O Heautontimorumenos
    O irremediável
    O relógio

    QUADROS PARISIENSES
    Paisagem
    O Sol, duas versões
    O amor pela mentira
    Número XCIX
    Sonho parisiense

    FLORES DO MAL
    O amor e o crânio

    A MORTE
    A Morte dos amantes
    A Morte dos pobres
    A Viagem

    PEÇAS CONDENADAS
    As joias
    O Letes
    A que é demais alegre

    SUPLEMENTO ÀS FLORES DO MAL
    Hino
    O resgate
    A voz
    Madrigal triste
    O rebelado
    Recolhimento, duas versões
    O abismo
    As queixas de um Ícaro
    O exame da meia-noite
    Sobre o “Tasso na prisão”
    O repuxo

    Notas do tradutor

    Glossário

    O autor
    O tradutor
    A organizadora

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